Sucateamento da segurança nas fronteiras provoca queda em apreensões de armas

Bancada do PSOL cobra explicações dos Ministérios da Justiça e da Defesa.

A bancada do PSOL protocolou, no dia 21 de fevereiro, dois requerimentos cobrando informações do governo federal sobre o contingenciamento do policiamento de fronteiras, marítimo e aeroportuário e a consequente redução nas operações de segurança. Os questionamentos são endereçados aos Ministérios da Defesa e da Justiça.

Reportagem publicada pelo jornal O Dia, em 17 de fevereiro, denunciou a grave situação da segurança nas fronteiras brasileira. De acordo com a matéria, em 2015, foram R$ 7,3 milhões destinados às operações e, em 2017, o recurso teve corte de R$ 2 milhões. O resultado deste cenário é a redução no número de armas apreendidas: pelas Forças Armadas 6, em 2017, contra 168, no ano anterior, e pela Polícia Federal 759, no ano passado, e 1.944, em 2013.

Em nota, o Exército admitiu que o contingenciamento atingiu todas as operações, incluindo as chamadas Operações na Faixa da Fronteira, essenciais no combate à entrada armas: "A redução do orçamento do Exército afeta as ações na faixa de fronteira na medida em que surge a necessidade de se priorizar a alocação de recursos para determinadas atividades, como o próprio custeio das organizações militares naquela região. A diminuição dos recursos poderá diminuir o volume e intensidade de operações na faixa de fronteira". Atualmente, somente 4% das fronteiras estariam sendo monitoradas.

 

Fuzis

A redução das operações nas fronteiras se reverte, consequentemente, na facilidade para entrada de armas, em especial, os fuzis. 

Matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, de 18 de fevereiro, denuncia que o número de apreensões desse tipo de arma, fabricada fora do Brasil e usada por criminosos do Rio de Janeiro e São Paulo, dobrou nos últimos cinco anos.

“O uso de fuzis por criminosos no Rio e em São Paulo quase dobrou nos últimos cinco anos, ao mesmo tempo em que [sic] as apreensões de todos os tipos de armas feitas pela Polícia Federal nas fronteiras do País caíram 60,9% em 2017 (759) na comparação com 2013 (1.944). Só no Paraná, uma das principais rotas de entrada de armas e drogas no Brasil, a queda das apreensões foi de 78% no período”, aponta a reportagem.

 

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