Ataques racistas. Dep Edmilson Rodrigues

Senhor Presidente,
Senhoras Deputadas,
Senhores Deputados:

Mal começava novembro, o mês em que os movimentos sociais realizarão grandes mobilizações em defesa da igualdade racial e de denúncia do etnocídio em nosso país, e uma grande artista sofreu mais uma situação constrangedora e violenta por estampar sua beleza negra. A atriz Taís Araújo foi alvo de comentários racistas no Facebook na noite do último sábado (31). A foto que passou a receber comentários preconceituosos de diferentes perfis, datada do início de outubro, foi publicada quase um mês antes dos ataques.

Em resposta a esse absurdo, na manhã do dia seguinte a hashtag #SomosTodosTaísAraújo, em defesa da artista, foi o assunto mais comentado no Twitter. Estes dois fatos nos mostram que há um clima de intolerância política que se cristaliza no país, com o incremento de uma pauta conservadora e reacionária que favorece esse tipo de manifestação. Por outro lado, há outras milhões de pessoas – organizadas e não organizadas – prontas para barrar e impedir qualquer manifestação deste gênero.

Casos como da atriz ocorrem cotidianamente: entre famosos e não famosos, ninguém está blindado. Nesse mesmo fim de semana, na partida contra o Sport, Michel Bastos marcou o terceiro gol na vitória do São Paulo por 3 a 0, o que resultou em manifestações racistas por parte de torcedores do timew adversário.

Estes fatos nos fazem lembrar de que a luta pela igualdade racial e pelo respeito à humanidade de cada pessoa deve ser cada vez mais apoiada e fortalecida. Em 2014, a cada três assassinatos no Brasil, dois vitimaram negros. Enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes, no caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes.

Em 2014, a taxa de analfabetismo registrada entre pretos e pardos é maior do que o dobro da apresentada pelos brancos. Daqueles que se declaram negros, mais de 44% não são protegidos pela Previdência Social. Os rendimentos médios mensais dos brancos (R$ 1.538) e amarelos (R$ 1.574) se aproximaram do dobro do valor relativo aos grupos de negros (R$ 834), pardos (R$ 845). Em 2014, aumentam os números de quem se declara negro no país. Mesmo maioria, não tem força de quem seja.

Por tudo isso, nesta tribuna, quero manifestar minha irrestrita solidariedade à atriz Taís Araújo e ao atleta Michel Bastos, cuja postura de pronta reação aos ataques discriminatórios que sofreram deve ser apoiada por todos os que lutam por um Brasil livre de quaisquer formas de racismo e de intolerância.

Neste mês de novembro, na Marcha da Mulher Negra e nos atos que serão realizados no dia 20, dia da Consciência Negra devemos nos manifestar contra o absurdo indicado por estes números, que nos mostram como a crueldade e a perversidade imposta pela escravidão ainda se perpetua em nosso presente. Por um mundo mais justo e igualitário, nos manifestemos contra qualquer violência que fira a dignidade étnica, cultural e de gênero de cada brasileiro e brasileira.

Edmilson Rodrigues
Deputado Federal PSOL/PA

Plenário Ulysses Guimarães, 3 de novembro de 2015.

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