Repúdio a deturpação de fatos históricos e a perpetuação da violência entre os povos Palestino e Israelense. Dep Chico Alencar

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todo(a)s o(a)s que assistem a esta sessão ou nela trabalham:

Como a história do nosso país já nos ensinou, o olhar do colonizador é restrito e, sobretudo, alheio à realidade. O princípio imperialista é aniquilador do "outro" e de todas as visões diferenciadas sobre o mundo. É justamente nessa lógica que está inserida a manifestação mais recente do primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para quem os palestinos seriam os verdadeiros responsáveis pelo Holocausto. Tal como seu desafeto, Mahmoud Ahmadinejad – que negava sistematicamente a existência do Holocausto – Netanyahu ignora fatos históricos para legitimar seu discurso belicoso.

É perigoso agir dessa maneira, uma vez que o ensino histórico serve como base da experiência humana – apontando tanto seus acertos quanto seus erros. Deturpar fatos ou reelaborar histórias tende a excluir os pontos de vista dos mais frágeis ou daqueles que sofreram com a opressão. Nesse caso, o discurso elaborado serve como justificativa (ou mitigação) para os atos de violência do Estado de Israel contra populações Palestinas. Populações que ali se encontravam antes do estabelecimento de Israel, no encontro de povos semitas.

Segundo o premier de Israel, a ideia do extermínio levado a cabo pelo estado alemão teria vindo do mufti de Jerusalem, Haj Amin AL-Husseini, líder da comunidade árabe da cidade, num encontro com Hitler – em novembro de 1941. Conforme aponta matéria publicada n'O Globo (22/10), Netanyahu disse que "Hitler não queria exterminar os judeus naquele momento: ele queria expulsar os judeus." A contestada narrativa de "Bibi" revela, fantasticamente, que Haj Amin AL-Husseini teria dito a Hitler: "Se você expulsá-los, eles vão todos vir para cá" (referindo-se ao Mandato Britânico da Palestina). "Então, o que devo fazer com eles?" Hitler perguntou. Al-Husseini teria dito: "Queimá-los". Historiadores judeus garantem que esse diálogo jamais ocorreu nesses termos.

Para além de minimizar o protagonismo de Hitler e do Estado alemão no ataque aos judeus, a atitude do primeiro ministro tenta desumanizar toda a população palestina, algo que é inescusável a um representante de um Estado-nação cuja história está enraizada na afirmação dos direitos humanos e na colaboração entre os povos para a paz mundial.

Repudiamos essa deturpação de fatos históricos e a perpetuação da violência entre povos irmãos como são o Palestino e o Israelense.

Sala das Sessões, 28 de outubro de 2015.

Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ.

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