“Bancada de Trump” impede votação de Moção de Repúdio

Moção de Repúdio aos atos desumanos de Donald Trump.

A bancada do PSOL apresentou, na quarta-feira 20, Moção de Repúdio ao tratamento desumano praticado pelo governo dos Estados Unidos contra crianças e adolescentes imigrantes. A Moção seria votada no plenário da Câmara, mas alguns parlamentares saíram em defesa de Donald Trump e se recusaram a votar o texto.

“É um absurdo que deputados que fazem defesa de interesses multinacionais se neguem também a votar Moção de Repúdio contra um governo que prende crianças em gaiolas separadas de seus pais. É absurdo que o plenário se negue”, afirmou o deputado Glauber Braga (RJ), durante a sessão.

O presidente Rodrigo Maia se propôs a votar e defendeu a Moção. No entanto, a “bancada de Trump’ se recusou, criticou o texto e defendeu a política anti-imigração do governo norte-americano – criticada por várias Nações. Vale esclarecer que uma Moção de Repúdio precisa ter a unanimidade par ser colocada em votação.

“Trump rasga acordos e ofende o bom senso planetário. Retira os Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos da ONU e, agora, prende 2,3 mil crianças e adolescentes, apartadas do convívio de seus pais. Isto tem aspecto de neonazismo”, afirma o líder Chico Alencar (RJ). De acordo com informações do Itamaraty, existem 49 crianças e adolescentes brasileiros estão nessa situação.

O PSOL, juntamente com PDT, PT, PSB e PCdoB, protocolou a Moção de Repúdio na forma de pronunciamento. Confira:

 

Senhor Presidente,

 Registramos a seguinte Moção de Repúdio ao tratamento desumano sob o qual se encontram atualmente mais de duas mil crianças e adolescentes, sendo quarenta e nove brasileiras, detidas pelo Governo dos Estados Unidos:

 A Câmara dos Deputados manifesta seu repúdio às medidas praticadas pelo governo dos Estados Unidos em relação à chamada “política de tolerância zero” contra imigrantes que cruzam a fronteira dos EUA. Tal medida separa as crianças e adolescentes de suas famílias, colocando-as em abrigos sem contato com seus responsáveis.

 Apenas nos meses de maio e junho, mais de 2.000 crianças e adolescentes foram separadas dos seus pais. Destaque-se que pelo menos quarenta e nove – entre seis e dezessete anos - estão nessa situação, inclusive uma criança autista. Segundo o consulado do Brasil em Houston, as mães estão detidas no Texas ou no Novo México, a cerca de 500 km de distância dos filhos. 

 Comprometida com os valores do humanismo, da democracia e da solidariedade internacional, a Câmara dos Deputados repudia o tratamento desumano sob o qual se encontram atualmente crianças, detidas pelo Governo dos Estados Unidos, bem como as declarações do presidente Donald Trump contra imigrantes, mulheres, comunidade LGBT e outras minorias.

 Essa medida constitui uma grave afronta ao Direito Internacional no momento que o mundo busca mais integração.

 Os deputados e deputadas brasileiras não admitirão demonstrações de ódio que estimulem a intolerância e violem, frontalmente, os direitos humanos.

 Nesse sentido, ao tempo que repudiamos as medidas do governo norte-americano, instamos o Itamaraty a tomar medidas enérgicas para proteção das crianças brasileiras, com o retorno imediato ao convívio de seus familiares.

 

 Sala das sessões, 20 de junho de 2018.

 

Chico Alencar - Líder do PSOL

André Figueiredo - Líder do PDT

Paulo Pimenta - Líder do PT

Tadeu Alencar - Líder do PSB

Orlando Silva - Líder do PCdoB

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