A greve dos petroleiros. Dep Edmilson Rodrigues

Senhor Presidente,
Senhoras Deputadas,
Senhores Deputados:

Venho aqui hoje manifestar solidariedade à greve nacional dos petroleiros, que teve início no último dia 29 de outubro. Em todo o Brasil, a Petrobrás possui 85 mil concursados e 250 mil empregados terceirizados. Os petroleiros protestam principalmente contra o plano de venda de ativos da estatal, de mais de US$ 15 bilhões até 2016, querem a retomada dos investimentos da Petrobras, o fim das demissões e a garantia de benefícios. Além disso, reivindicam 9,5% de reposição da inflação e mais 7,5% de ganho de produtividade. Mas a empresa acena com 8,5% e impõe um pacote de perdas aos trabalhadores, como a redução do valor das horas-extras e a redução de jornada com redução de salário em 25% aos cargos administrativos.

Os trabalhadores têm que ter os direitos respeitados. O governo ao terceirizar os serviços, enfraquece a Petrobras e facilita a corrupção e, agora, tenta responsabilizar os grevistas pela crise. Só há uma saída: valorizar os trabalhadores.

Em seu site, a Petrobras informa que o impacto da greve na produção de petróleo permanece na ordem de 115 mil barris ao dia. O que não informa é que, ainda que em um contexto de crise, o resultado operacional do segundo trimestre de 2015 é melhor do que o do segundo trimestre de 2014. Isso é visível sobretudo no lucro operacional, que cresceu 7%, para 9,5 bilhões de reais. Já a geração de caixa [Ebidta, no jargão financeiro, ou seja, o lucro antes de se pagar impostos e juros e sem descontar as depreciações] subiu 21,7%, para 19,8 bilhões de reais. O lucro operacional do primeiro semestre de 2015 é 39% superior ao dos primeiros seis meses de 2014.

Não é possível que a maior empresa estatal brasileira, presente em 25 países, uma das maiores empresas petroleiras do mundo, responsável por 13% do PIB não seja capaz de atender às justas reivindicações de seus trabalhadores. Não aceitaremos que a crise seja creditada aos trabalhadores que constroem o nome desta empresa e que tem direito à reposição salarial e melhores condições de trabalho. Não respeitar a Petrobras e a dignidade dos trabalhadores, é ferir a soberania nacional.

 

Edmilson Rodrigues
Deputado Federal PSOL/PA

Plenário Ulysses Guimarães, 10 de novembro de 2015.

 

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