Tarcísio Motta alerta para risco de enfraquecimento da Defensoria Pública em projeto aprovado na Câmara
Dispositivo abre amplo leque de fontes de financiamento para serviços advocatícios, incluindo recursos públicos de diferentes esferas de governo, convênios, transferências voluntárias e até contribuições de entidades privadas
12 mar 2026, 16:19 Tempo de leitura: 1 minuto, 58 segundos
Durante debate no plenário da Câmara dos Deputados, o deputado federal Tarcísio Motta (RJ) manifestou preocupação com um trecho do projeto aprovado que trata da remuneração de serviços advocatícios em programas de proteção a vítimas de violência. Embora tenha votado favoravelmente à proposta em seu conjunto, o parlamentar defendeu a retirada de um artigo específico, por considerar que ele pode enfraquecer institucionalmente a Defensoria Pública.
Segundo o deputado, o dispositivo abre um amplo leque de fontes de financiamento para serviços advocatícios, incluindo recursos públicos de diferentes esferas de governo, convênios, transferências voluntárias e até contribuições de entidades privadas. Para Tarcísio, esse modelo pode estimular a disputa por recursos que deveriam ser destinados ao fortalecimento da estrutura pública responsável por garantir o acesso à Justiça.
“O projeto tem uma intenção importante, que é ampliar o acesso da sociedade brasileira à Justiça. Nós votamos favoravelmente a ele. Mas este artigo, em particular, pode significar um enfraquecimento institucional e a continuidade de um desfinanciamento da Defensoria Pública”, afirmou.
O parlamentar alertou que o texto permite que a remuneração de serviços advocatícios seja custeada por diferentes fontes, inclusive privadas, o que pode gerar concorrência por recursos públicos.
“Vai-se passar a conviver, inclusive em muitos municípios, com uma disputa por esses recursos. Recursos que deveriam estar sendo usados para construir, fortalecer e expandir a Defensoria Pública podem acabar mantendo um status quo que todos nós queremos mudar”, disse.
Para o parlamentar, o risco é que a medida estimule um processo de terceirização do acesso à Justiça, em vez de consolidar a instituição prevista na Constituição para cumprir esse papel.
“O que nós faremos será um processo de terceirização do acesso à Justiça, em vez de fortalecer o órgão que, constitucionalmente, está definido para garantir esse direito, que é a Defensoria Pública”, declarou.
Por isso, o deputado solicitou a votação separada do artigo em questão e pediu apoio dos colegas para a retirada do dispositivo do texto final.
“É apenas nesse ponto que pedimos o destaque. Peço aos nobres colegas que apoiem esse destaque, dizendo não a esse trecho do texto e, portanto, sim ao fortalecimento da Defensoria Pública”, concluiu.