Talíria Petrone pede na PGR apuração da conduta servil de Flávio Bolsonaro em reunião com Donald Trump
Representação sustenta que política externa não pode ser alvo de articulação diplomática paralela e nem servir como palanque partidário
2 jun 2026, 09:38 Tempo de leitura: 1 minuto, 56 segundos
A deputada federal Talíria Petrone (RJ) enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um ofício solicitando esclarecimentos sobre a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL) em reunião com o governo dos Estados Unidos em razão da decisão do presidente Donald Trump de colocar o Brasil na mira de operações internacionais daquele país em nome do suposto combate ao terrorismo.
No documento à PGR, a parlamentar afirma que “tal movimentação pode ser interpretada como uma tentativa deliberada de articulação diplomática paralela ou reunião entre Estados à revelia da formalidade que rege o Direito Internacional e a tradição da nossa política externa”.
A postura de Flávio Bolsonaro, argumenta a deputada na representação, ganha contornos ainda mais graves dado o status do parlamentar como candidato declarado ao pleito executivo, criando um ambiente de potencial fragilização e desgaste nas relações institucionais e diplomáticas estáveis entre o Estado brasileiro e os Estados Unidos da América.
O pedido à PGR reforça que a condução da política externa e a representação do Estado são competências exclusivas e coordenadas da República, e agendas bilaterais de alto nível com chefes de Estado estrangeiros não devem servir a palanques partidários ou contornar as instituições formais sob o risco de comprometer a soberania e a estabilidade diplomática do país.
Talíria explicou, ainda, que o entendimento de Donald Trump é propositadamente equivocado para criar confusão e fazer parecer que seu objetivo é combater o crime, quando na verdade o que se tenta é ferir a soberania de países latino-americanos.
“Trump segue tentando interferir no Brasil, a família Bolsonaro segue sendo lacaia e o Brasil seguirá livre e soberano. Terrorismo é uma coisa, organizações criminosas (que precisam ser combatidas) são outra. Nunca um governo enfrentou tanto o crime organizado como Lula”, defendeu a parlamentar.
Talíria lembrou também da descoberta recente de vínculos da extrema-direita com organizações criminosas como o PCC, em São Paulo, e o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro: “Diante de uma situação tão grave e perigosa de um senador brasileiro, acionamos a PGR e a Presidência do Senado para que essa conduta servil e traidora seja imediatamente esclarecida”.