Sônia Guajajara debate sobre degradação ambiental na Semana do Clima do Rio

Deputada alertou para a importância das pautas climáticas: “não vamos deixar esquecer”

3 jun 2026, 11:46 Tempo de leitura: 3 minutos, 18 segundos
Sônia Guajajara debate sobre degradação ambiental na Semana do Clima do Rio

A deputada federal Sonia Guajajara teve participação importante no primeiro dia de debates da Rio Nature & Climate Week, semana que reúne importantes lideranças indígenas, instituições, ativistas, personalidades artísticas e representantes internacionais para encontrar soluções práticas sobre mudanças climáticas, preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Sonia lembrou a importância de se manter visível a discussão sobre clima: “Com o avanço desses cenários de guerra, a gente não pode, de forma alguma, deixar com que esse tema de enfrentamento à crise climática, proteção do meio ambiente, restauração da natureza e direitos indígenas sejam esquecidos.”

“Se as leis ambientais e as leis indígenas, a legislação indigenista se fragilizam, como nós estamos vendo agora, isso também crescendo e avançando no Congresso Nacional, se continuar a ser mais rentável desmatar e matar do que proteger e restaurar, as florestas, realmente nós não teremos solução para o nosso planeta, né? Isso precisa mudar”, afirmou a deputada, sobre o risco do avanço de projetos políticos que aprofundam o desmonte ambiental e avançam contra direitos socioambientais.

A conversa foi mediada pela presidente e cofundadora do Instituto Igarapé, Ilona Szabó. Junto com Sonia, participaram do debate o Embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30; Joana Chiavari, diretora de pesquisa do Climate Policy Initiative; e Renata Piazzon, CEO do Instituto Arapyaú.

Sobre as políticas que reduzem os impactos de ações nocivas ao ambiente, Sonia Guajajara reforçou a importância de se tratar a proteção territorial indígena como ação importante no combate à destruição da floresta: “A gente falava de povos indígenas na adaptação a partir do conhecimento tradicional somente. E também a partir do resultado do acordo de Paris. Mas não se falava da proteção dos territórios. O conhecimento tradicional é importante, mas a proteção do território estava separado e ainda não estava dentro. Então, em Belém, a gente conseguiu ter um pouco desse avanço. E aí, o que valia para o mercado privado, como os mecanismos de rede, do crédito de carbono, não valia para as políticas públicas. Estava ali como também um mecanismo à parte. Então, isso acabava até incentivando violência, crimes, né, no dentro desses territórios. E aí agora com a adesão do grupo de trabalho de mitigação, nós podemos já considerar a proteção territorial como uma política de mitigação.”

Rio Nature & Climate Week

 A primeira edição da Rio Nature & Climate Week, realizada entre os dias 1 e 6 de junho deste ano, nasce como um movimento e uma comunidade: um ponto de referência permanente ao qual atores relevantes retornam anualmente para alinhar prioridades, amplificar soluções e anunciar compromissos reais que extrapolam a semana do evento.

A estrutura da Semana está diretamente conectada aos seis eixos da Agenda de Ação Climática Global, que passaram a vigorar na COP30 e será consolidada na COP31, para acelerar a Era da Implementação do combate às mudanças climáticas.

Os seis eixos são: Transição energética, industrial e dos transportes; Cuidando das florestas, dos oceanos e da biodiversidade; Transformando a agricultura e os sistemas alimentares; Construindo resiliência para cidades, infraestrutura e água; Promoção do desenvolvimento humano e social; e Liberar facilitadores e aceleradores, incluindo financiamento, tecnologia e capacitação.

O evento é organizado em cooperação com a organização de advocacy internacional Global Citizen, a instituição de conservação ambiental Re: wild e o Instituto Brasileiro de Natureza e Clima. Como parte das atrações culturais e gratuitas ao ar livre, haverá um grande show na Praia de Botafogo com apresentações dos Fugees com Lauryn Hill, Wyclef Jean e a cantora Ludmilla.