O tempo esclarecerá, justiça se fará! (Por Chico Alencar)
Não vale dizer, como alguns réus e seus advogados o fizeram, que é tudo "invenção" ou "perseguição". Ou que "o golpe não aconteceu" - é óbvio, senão não estaríamos sequer comentando aqui.
27 mar 2025, 14:45 Tempo de leitura: 1 minuto, 14 segundos
Agora começa a Ação Penal que decidirá o destino dos réus acusados de tramar um golpe de Estado contra o Brasil.
Terão amplo direito de defesa, claro. Cada fato da conspiração para manter Bolsonaro no poder será examinado no detalhe: reuniões (inclusive com chefes militares), campanha sistemática contra as urnas eletrônicas, documentos/planos/minutas, áudios, “neutralização” de adversários, estímulo aos acampamentos que pediam “intervenção militar”, tentativa de explosão no aeroporto JK e atentados a torres de transmissão, preparação e efetivação do 8 de janeiro.
Não vale dizer, como alguns réus e seus advogados o fizeram, que é tudo “invenção” ou “perseguição”. Ou que “o golpe não aconteceu” – é óbvio, senão não estaríamos sequer comentando aqui.
O que será julgado é a participação de cada um (dezenas, e não apenas os 8 de ontem) no CRIME da “tentativa de golpe de estado” e de “abolição violenta do Estado Democrático de Direito”, “organização com fins criminosos” e outros. Chegou a hora da prova e da contraprova.
Não será objeto específico do julgamento, mas é preciso também levar em conta o histórico de cada acusado: qual seu compromisso com a democracia e em relação à ditadura, censura, tortura, desaparecimentos e mortes de milhares de compatriotas em nosso mais recente período autoritário (do qual, a duras penas, nos livramos).
Ilustração: Nando Motta