“O que destrói as famílias brasileiras é a escala 6×1”, diz Sâmia durante Parada LGBT+ de São Paulo

Deputada também criticou projetos que tentam restringir o acesso à manifestação e cobrou posicionamento de empresas que abandonaram o patrocínio após pressão de conservadores

11 jun 2026, 16:42 Tempo de leitura: 2 minutos, 12 segundos
“O que destrói as famílias brasileiras é a escala 6×1”, diz Sâmia durante Parada LGBT+ de São Paulo

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou, durante a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, propostas apresentadas por parlamentares conservadores para restringir a participação de crianças e adolescentes no evento e até retirar a manifestação da Avenida Paulista. Para a parlamentar, esse tipo de iniciativa representa um ataque à diversidade, à liberdade de expressão e aos direitos da população LGBTQIA+.

“O que destrói as famílias brasileiras é a violência doméstica, é o abandono paterno, é o genitor que não paga a pensão e é a escala 6×1, que não dá direito ao descanso, ao convívio familiar e à alegria”, afirmou durante discurso realizado na Avenida Paulista.

Sâmia também voltou a defender a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, tema que ganhou destaque nacional nos últimos meses. Segundo ela, garantir mais tempo livre para trabalhadores e trabalhadoras significa fortalecer vínculos familiares e melhorar a qualidade de vida da população. “Nós vamos derrotar essa escala exploratória justamente para que todas as famílias brasileiras possam ter tempo e possibilidade de descanso”, declarou.

Outro tema abordado pela deputada foi a redução dos patrocínios destinados à Parada deste ano. Sâmia criticou empresas que, após anos associando suas marcas ao discurso da diversidade, deixaram de apoiar o evento diante da pressão de grupos conservadores e fundamentalistas.

“Aos ex-patrocinadores da Parada, que por anos lucraram com o discurso de suposto respeito e de suposta diversidade, mas que na primeira pressão e lobby dos fundamentalistas e conservadores abandonaram a comunidade: se querem lucrar com corpos diversos, vão ter que respeitar e garantir direitos para esses corpos”, disse.

A redução dos investimentos privados ocorre em um contexto mais amplo de recuo de políticas corporativas voltadas à diversidade, fenômeno observado em diferentes países e frequentemente associado ao avanço de movimentos conservadores contrários a pautas de inclusão e direitos humanos.

Para Sâmia, a resposta a esse cenário passa pela mobilização social e política. A deputada defendeu que a comunidade LGBTQIA+ continue ocupando os espaços públicos, pressionando empresas e fortalecendo sua participação eleitoral como forma de enfrentar retrocessos e ampliar a garantia de direitos.

Realizada neste domingo (7), a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo celebrou seus 30 anos com o tema “A rua convoca, a urna confirma”, destacando a importância da organização popular e da participação política diante dos desafios enfrentados pela população LGBTQIA+ no Brasil.

Foto: Rebeca Meyer | ASCOM Sâmia Bomfim