“Feminicídio é a ponta do icerberg das violências”, afirma Talíria, que vai integrar o GT do projeto da misoginia
Parlamentar é autora de projeto de lei contra incels e redpills na "machosfera"
8 maio 2026, 13:00 Tempo de leitura: 2 minutos, 20 segundos
A deputada Talíria Petrone (RJ) integrará o Grupo de Trabalho para debater na Câmara o Projeto de Lei da Misoginia (PL 896/2023), da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). O texto equipara a misoginia (ódio ou aversão às mulheres) ao crime de racismo, tornando a prática inafiançável e imprescritível, com penas de reclusão de dois a cinco anos.
Na instalação do GT, na terça-feira (5), Talíria sugeriu a realização de seminários nos estados para ampliar a escuta da sociedade durante o curto prazo de trabalho do grupo. A sugestão recebeu o apoio da coordenadora do grupo, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que se colocou à disposição para colaborar com as iniciativas regionais. Talíria Petrone defendeu também a inclusão do recorte racial no debate.
Talíria, que há dois meses realiza a “Caravana contra o feminicídio” por municípios de todo o estado do Rio de Janeiro para ouvir mulheres e verificar as políticas locais para combate à violência de gênero, afirmou que o feminício é a “ponta do iceberg” de uma série de crimes de incitação, muitos deles iniciados no ambiente digital.
“O feminicídio não é o início da violência, ele é a ponta do iceberg, é o que aparece no noticiário. Antes disso, e sem dúvida, temos todo o tipo de ódio disseminado contra mulheres, uma parte muito grande desse crime está no ambiente digital. É a partir da machosfera que se coloca na cabeça de meninos que uma mulher é alguém tão odiável que ela pode receber 60 socos ou morrer a facadas”, disse a parlamentar.
Em março, a parlamentar apresentou o Projeto de Lei 1010/2026 contra grupos redpill e incels. Pela proposta, toda vez que alguém denunciar ameaças ou planos de violência contra mulheres em redes sociais e jogos online, a plataforma responsável deverá enviar as notificações imediatamnte às delegacias e às Delegacias da Mulher (DEAMs).
A deputada também rebateu os argumentos de parlamentares da direita que querem derrubar o PL da Misoginia alegando que ele representa é uma “censura” e representa riscos à “liberdade”.
“É um projeto que quer proteger as mulheres. A direita fala em ‘risco’ e ‘perigo’ de o projeto ser aprovado. Risco para os homens? Risco é o que nós, mulheres, vivemos no cotidiano. A violência não escolhe chegar na mulher de esquerda ou de direita, mas nas mulheres brasileiras de um modo geral. São seis mulheres mortas por dia, 71 mil mulheres vítimas de estupro por ano. Tivemos um presidente [Bolsonaro] dizendo que não estupra uma mulher porque ela não merece, um incentivo escandaloso ao estupro. Estamos falando de seguirmos vivas”, apontou Talíria.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados