Emenda de Sâmia financia pesquisa que vai criar fundo de memória da Parada LGBT+ de SP
Estudo da Unicamp reunirá documentos, entrevistas e registros audiovisuais sobre a história do evento, que completa 30 anos em 2026
3 jun 2026, 12:30 Tempo de leitura: 2 minutos, 3 segundos
A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) deu início a uma pesquisa inédita para organizar e preservar a história da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. A iniciativa integra as comemorações das três décadas do evento e é viabilizada por uma emenda parlamentar de R$ 400 mil destinada pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), somada a um aporte de R$ 80 mil da universidade.
O trabalho resultará na criação de um fundo de memória dedicado à manifestação, reunindo documentos históricos, fotografias, vídeos, entrevistas e relatos de participantes. O projeto prevê a criação de um acervo documental, além de oficinas, atividades de formação para organizadores de paradas de todo o país e a produção de um filme documentário.
Desenvolvido em parceria com a APOLGBT-SP (Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo), o levantamento é coordenado pela antropóloga Regina Facchini, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp, e seguirá até abril de 2027.
Segundo Facchini, o objetivo é garantir que a trajetória do movimento não se perca. “São três décadas de ocupação das ruas, celebração da diversidade, enfrentamento da violência e reivindicação de direitos. Mas essa memória ainda está dispersa, muitas vezes guardada em arquivos pessoais, redes sociais ou documentos frágeis.”, afirma em nota à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
Também em nota à coluna, o presidente da APOLGBT-SP, Nelson Matias Pereira, diz que a Parada não pertence apenas à comunidade LGBTQIA+, mas faz parte da história do Brasil. “Ao preservar essa memória, ajudamos a garantir que uma das maiores manifestações de direitos humanos do mundo continue inspirando futuras gerações e fortalecendo a nossa democracia.”
Em 2024, Sâmia Bomfim apresentou o Projeto de Lei 2119, que declara a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo como Manifestação da Cultura Nacional. A proposta recebeu parecer favorável nas comissões temáticas da Câmara e aguarda deliberação final na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania).
“Nosso mandato tem priorizado a destinação de recursos para universidades e centros de pesquisa porque conhecimento também é uma ferramenta de transformação social. Produzir dados e aprofundar estudos sobre grupos historicamente vulnerabilizados é fundamental para formular políticas públicas, enfrentar preconceitos e garantir direitos”, afirma a deputada.