Deputada Professora Luciene pede que STF e MP investiguem contratos de Ricardo Nunes com a produtora do filme de Bolsonaro
A representação destaca que entidades ligadas à mesma dirigente receberam recursos públicos e mantiveram reuniões oficiais com integrantes da Prefeitura de São Paulo
3 jun 2026, 15:03 Tempo de leitura: 2 minutos, 17 segundos
A deputada federal Professora Luciene Cavalcante (SP) protocolou uma representação no Supremo Tribunal Federal e levou ao Ministério Público denúncias de contratos da Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes, e a produtora responsável pelo filme Dark Horse, sobre o presidiário Jair Bolsonaro.
A iniciativa foi apresentada em conjunto com o deputado estadual Carlos Giannazi e o vereador Celso Giannazi.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça no âmbito do Inquérito nº 5026, que investiga o Banco Master. Na petição, os parlamentares pedem que sejam incorporados às apurações fatos envolvendo a produtora Go UP Entertainment e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que mantém contratos sob investigação com a administração municipal paulistana.
A representação foi apresentada após a Polícia Civil de São Paulo realizar uma operação para investigar suspeitas de irregularidades em contratos firmados entre a gestão Ricardo Nunes e o Instituto Conhecer Brasil. Entre os alvos estiveram a sede do instituto, a residência de sua presidente, Karina Ferreira da Gama, e a sede da Go UP Entertainment, produtora do filme sobre Bolsonaro. As investigações apuram suspeitas de direcionamento, sobrepreço, pagamentos sem comprovação da execução dos serviços e possível desvio de recursos públicos.
No centro das apurações está um contrato para implantação e manutenção de 5 mil pontos de internet pública em comunidades da capital. O acordo, inicialmente estimado em R$ 108 milhões, passou a ser alvo de investigação do Ministério Público, que aponta possíveis irregularidades como ausência de concorrência efetiva, falta de justificativas técnicas para a contratação e sucessivos aditamentos contratuais.
Documentos do Ministério Público também registram divergências entre os valores pagos e a execução dos serviços. Segundo a apuração, até dezembro de 2024 haviam sido ativados 2.615 pontos de internet, enquanto os repasses já somavam R$ 39,2 milhões. Os dados levaram à instauração de inquérito civil para aprofundar a investigação.
A representação apresentada pela deputada também destaca que entidades ligadas à mesma dirigente receberam recursos públicos para a realização da feira gospel The Connect Faith 2025 e mantiveram reuniões oficiais com integrantes da Prefeitura de São Paulo.
Para a deputada Professora Luciene, os fatos exigem uma investigação ampla e integrada. O pedido encaminhado ao STF busca reunir documentos, contratos, prestações de contas e relatórios de fiscalização para verificar se existe relação entre contratos da administração municipal e estruturas privadas que hoje estão no centro de investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.