Câmara aprova projeto “Sem Mulher Não Tem Clima”, de autoria da deputada Célia Xakriabá

Proposição parte do reconhecimento de que os efeitos das mudanças climáticas atingem de forma desigual diferentes grupos da sociedade, com impactos diretos sobre mulheres e meninas

12 mar 2026, 10:13 Tempo de leitura: 1 minuto, 57 segundos
Câmara aprova projeto “Sem Mulher Não Tem Clima”, de autoria da deputada Célia Xakriabá

A Câmara dos Deputados aprovou, neste mês das mulheres, o Projeto de Lei 3640/2025, conhecido como “Sem Mulher Não Tem Clima”, de autoria da deputada federal Célia Xakriabá. A proposta contou com relatoria da deputada Iza Arruda (MDB) e estabelece medidas para mapear e enfrentar os impactos da crise climática na vida das mulheres e meninas brasileiras.

O projeto parte do reconhecimento de que os efeitos das mudanças climáticas atingem de forma desigual diferentes grupos da sociedade, com impactos diretos sobre mulheres e meninas, especialmente aquelas que vivem em territórios vulnerabilizados. A proposta busca garantir que o Estado brasileiro produza dados, diagnósticos e políticas públicas capazes de identificar e enfrentar essas desigualdades.

Segundo a deputada Célia Xakriabá, a crise climática se manifesta de forma concreta no cotidiano das mulheres. “Quando a terra adoece, quem sente primeiro são as mulheres e meninas. Os impactos aparecem no corpo-território, dentro de casa, nos territórios, no trabalho de cuidado, nas redes de solidariedade e na própria sobrevivência”, afirmou.

A proposta também dialoga com dados apresentados pela Organização das Nações Unidas, que apontam que, até 2050, mais de 158 milhões de mulheres poderão ser empurradas para a linha da pobreza em decorrência dos efeitos das mudanças climáticas.

Além da tramitação no Congresso Nacional, a iniciativa inspirou mobilizações em diferentes partes do país. O chamado “protocolaço” realizado pela parlamentar incentivou a apresentação de propostas semelhantes em assembleias legislativas e câmaras municipais, fortalecendo uma rede de parlamentares comprometidas com a justiça climática nos territórios.

Para Célia Xakriabá, a aprovação do projeto representa um passo importante para ampliar o reconhecimento das desigualdades climáticas e construir respostas institucionais à altura da crise. “Com essa aprovação, o Estado brasileiro poderá mapear e enfrentar as diversas formas de violência que a crise climática provoca na vida das mulheres e meninas em toda a sua diversidade”, destacou.

A proposta reforça a importância de integrar justiça climática e justiça de gênero nas políticas públicas, reconhecendo o papel fundamental das mulheres na proteção dos territórios e na construção de soluções para o enfrentamento da crise ambiental.