Bancada do PSOL aciona PGR para aprofundar elo entre Flávio Bolsonaro e miliciano condenado por participação no assassinato de Marielle
Conhecido como Peixe, Robson Calixto era homem de confiança de Domingos Brazão e negociou destinação de emendas com gabinete do senador Flávio Bolsonaro em 2023
21 set 2026, 20:20 Tempo de leitura: 2 minutos, 24 segundos
Parlamentares protocolaram no final da tarde de hoje uma representação à PGR após a revelação de conversas extraídas pela Polícia Federal do celular de Calixto. Os diálogos, de acordo com a reportagem dO Estadão desta segunda-feira, 21/9, mostram tratativas realizadas em 2023 envolvendo uma emenda parlamentar de R$ 199 mil destinada pelo gabinete de Flávio Bolsonaro ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop).
As suspeitas relacionadas ao Ifop já vinham sendo examinadas pelos órgãos de controle. Uma auditoria do TCU, incorporada ao inquérito da PF, identificou que parte dos recursos recebidos pelo instituto foi utilizada para pagar um escritório de advocacia pertencente aos próprios donos da entidade.
Na representação os parlamentares sugerem que uma oitiva seja realizada para Flávio Bolsonaro explique:
– Critérios do dinheiro: Quais foram os motivos e justificativas para escolher as entidades que receberam as verbas de suas emendas.
– Conversas de assessores: Se ele sabia de negociações entre seus próprios assessores e “Peixe”, ou com os representantes das entidades beneficiadas.
– Envolvimento direto: Se o próprio senador participou, de forma direta ou indireta, da escolha, liberação ou liberação dessas verbas.
– Reuniões suspeitas: Se ele chegou a se encontrar ou manter contato com “Peixe”, com os representantes das entidades ou com outros intermediários.
– Quem indicou: Quem foi o responsável por sugerir ou intermediar os nomes das entidades que receberam o dinheiro, e por que elas foram as escolhidas.
– Ordens ao gabinete: Se ele deu ordens, orientações ou autorizações para que sua equipe negociasse o destino dos recursos com “Peixe” ou com terceiros.
– Uso do dinheiro: Se ele tinha conhecimento de como os recursos foram aplicados e se a prestação de contas dessas emendas foi feita corretamente.
– Outros envolvidos: Se há mais políticos, servidores públicos, assessores ou pessoas de fora envolvidas nas negociações ou que tenham influenciado o destino do dinheiro.
O líder da bancada do PSOL na Câmara, deputado Tarcísio Motta (RJ), destaca que é urgente que Flavio esclareça tanto a relação com o Robson Calixto quanto com a entidade para a qual destinou as emendas:
“No Rio de Janeiro, as milícias são um projeto de poder. Quando surgem diálogos entre o gabinete de um senador e um miliciano que depois foi condenado pelo assassinato de Marielle Franco, não cabe silêncio. É preciso aprofundar e garantir o rigor das investigações. Flavio Bolsonaro deve explicações sobre suas relações com a milícia do Rio de Janeiro. Ele também precisa explicar o porquê da escolha desta entidade, investigada por desvio de dinheiro, corrupção, para receber dinheiro público. Esse é o sentido da representação feita pela bancada do PSOL à PGR”, enfatizou o líder.