Estudantes em foco: Tarcísio Motta cobra respostas após agressão em colégio e relaciona caso à memória de Edson Luís e à luta pela tarifa zero
Da violência nas salas de aula à luta pelo direito de ir e vir, o Rio revive, em dias seguidos, cenas que atravessam gerações e que colocam a juventude no centro das lutas
26 mar 2026, 14:59 Tempo de leitura: 2 minutos, 6 segundos
Na quarta-feira, 25 de março, estudantes foram alvo de agressões policiais dentro da Escola Estadual Senor Abravanel (ex-escola Amaro Cavalcanti). A ação gerou revolta entre alunos e a sociedade civil. Houve violência física e intimidação dentro de um espaço que deveria ser de proteção e aprendizado.
O episódio ecoa uma memória dolorosa da história brasileira: o assassinato do estudante secundarista Edson Luís, morto pela polícia em 28 de março de 1968, no restaurante Calabouço, no Centro do Rio, durante a ditadura militar. À época, o crime desencadeou uma onda de protestos e se tornou símbolo da repressão contra a juventude.
Mais de meio século depois, os paralelos não passam despercebidos.
“Quando a violência entra na escola, a gente precisa acender todos os alertas. Não é um caso isolado, é um sintoma grave de um Estado que ainda trata a juventude, sobretudo a juventude das escolas públicas, como alvo e não como sujeito de direitos”, afirmou o deputado federal Tarcísio Motta (RJ), que esteve no colégio após as agressões, acompanhando estudantes e cobrando providências das autoridades.
Além de acionar o Ministério Público e o Conselho Tutelar, o parlamentar também oficiou as secretarias de Educação e de Segurança para esclarecimentos.
Para Tarcísio, o debate sobre violência institucional não pode ser separado de outro tema que mobilizou estudantes nesta semana: o acesso à cidade. Na terça-feira (24), ele participou de uma manifestação na Central do Brasil em defesa da tarifa zero no transporte público, ao lado de movimentos estudantis e populares.
“A luta pelo passe livre é, no fundo, a luta pelo direito de existir na cidade. Quando o jovem não consegue pagar a passagem, ele é impedido de estudar, de circular, de viver plenamente. E isso também é uma forma de violência”, disse.
A pauta da tarifa zero tem ganhado força em diversas cidades brasileiras como alternativa para enfrentar a desigualdade no acesso ao transporte público. No Rio, estudantes têm sido protagonistas dessa reivindicação, ocupando ruas e pressionando o poder público.
Entre a repressão de ontem e a memória de 1968, o que se vê é uma linha contínua de resistência. Nas escolas, nas ruas, nos trens e ônibus, a juventude segue em movimento, exigindo não apenas o direito de aprender, mas o direito de viver sem medo e de ocupar a cidade por inteiro.