Federação PSOL/Rede cobra investigação de violência contra indígenas no Mato Grosso do Sul

Em apoio à denúncia da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), parlamentares pedem apuração de assassinatos, atropelamentos e ameaças de possível motivação política

28 out 2026, 17:44 Tempo de leitura: 2 minutos, 39 segundos
Federação PSOL/Rede cobra investigação de violência contra indígenas no Mato Grosso do Sul

A bancada da Federação PSOL/Rede na Câmara dos Deputados protocolou nesta quarta-feira (28.10) um ofício ao Ministério Público Federal, à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal no Mato Grosso do Sul, cobrando providências urgentes diante das denúncias de violência e ameaças contra indígenas no estado. O documento reforça a representação criminal apresentada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Segundo a APIB, integrantes de uma mesma família indígena foram assassinados em Naviraí, no domingo (25), e houve relatos de atropelamentos de indígenas em Coronel Sapucaia. A entidade recebeu ainda denúncias de demora ou ausência de atuação policial. Há suspeitas de que os episódios estejam relacionados a uma possível retaliação política após o resultado das eleições presidenciais, ocorridas em segundo turno no mesmo dia.

A representação da APIB também reúne cinco áudios associados aos municípios de Tacuru e Nioaque, com ameaças e manifestações discriminatórias contra indígenas, incluindo menções ao uso de armas de fogo e ao envenenamento da água. Não há confirmação de contaminação. No ofício, os parlamentares pedem a investigação dos fatos, a proteção imediata das comunidades, a verificação preventiva da segurança do abastecimento de água e a apuração de possíveis motivações político-eleitorais.

“Não podemos permitir que um grupo que não aceita o resultado eleitoral venha ameaçar e matar indígenas dentro do próprio território!  A União tem hoje um passivo muito grande com os povos indígenas quando não avança com a demarcação dos territórios, deixa indígenas à mercê da violência histórica e principalmente quando não se aceita o resultado eleitoral, quem paga a conta são os povos que estão em situação de vulnerabilidade por conta desse direito que não está sendo implementado”, ressaltou a deputada Sonia Guajajara, ex-ministra dos Povos Indígenas.

“A emergência que toda a sociedade sentiu às vésperas do segundo turno é o que nós, povos indígenas, sentimos todos os dias há muitos anos. A vitória da Democracia e a reeleição do Presidente Lula nos traz uma alegria enorme! Mas as ameaças aos nossos Territórios estão se acentuando pela revolta dos fazendeiros e daqueles que nos querem mortos. Esse mês, acompanhamos uma série de denúncias de incêndios, envenenamentos e violência contra nossos povos e todos eles acompanhados de áudios de bolsonaristas dizendo que é uma resposta de ódio. Estamos atuando enquanto PSOL em diálogo com os movimentos de base e a APIB para garantir a responsabilização dos criminosos e a proteção das nossas crianças, anciãos, homens e mulheres indígenas e de nossos territórios sagrados”, enfatizou a deputada Célia Xakriabá.

A bancada do PSOL também solicita uma resposta inicial dos órgãos acionados, sempre que possível, em até 24 horas, conforme pedido feito pela APIB.

Fotos: Bruno Spada e Kayo Magalhães / CD