Federação PSOL-Rede pede cassação do mandato de Mario Frias por quebra de decoro parlamentar

Representação apresentada à Mesa Diretora da Câmara pede que Conselho de Ética investigue uso indevido de emendas parlamentares

11 set 2026, 12:32 Tempo de leitura: 2 minutos, 22 segundos
Federação PSOL-Rede pede cassação do mandato de Mario Frias por quebra de decoro parlamentar

A Federação PSOL-Rede protocolou junto à Mesa Diretora da Câmara, nesta quinta-feira (10), representação com pedido de instauração de processo disciplinar, no âmbito do Conselho de Ética, contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP), por quebra de decoro parlamentar. O documento de 18 páginas, assinado pelos dirigentes Paula Coradi e Juliano Medeiros e por toda a bancada de deputadas e deputados, pede a cassação do mandato de Frias por mau uso de recursos de emenda parlamentar e percepção de vantagem indevida decorrente do próprio mandato, entre outras condutas relacionadas a movimentações financeiras suspeitas.

Mario Frias é alvo de operação da Polícia Federal que investiga, no âmbito de inquérito sob relatoria do ministro do STF Flávio Dino, suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares para o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de ter destinado R$ 2 milhões em recursos públicos para instituições ligadas à produtora do filme, Frias – que é roteirista e produtor executivo da obra – também transferiu para a mesma empresa, como pessoa física, quantias vultosas incompatíveis com a sua renda e movimentação financeira habitual.

A representação apresentada pela Federação PSOL-Rede também cita a triangulação de recursos públicos com o grupo empresarial de doadora da campanha eleitoral de Mario Frias, o desempenho irregular de missão parlamentar oficial no exterior e a guarda, pelo deputado, de sete armas de fogo em endereço não declarado. 

O Líder do PSOL na Câmara, deputado Tarcísio Motta, afirmou que “as investigações apontam indícios gravíssimos de que um esquema de desvio de emendas parlamentares usou recursos públicos para beneficiar projeto político ligado ao bolsonarismo”. 

O deputado Pastor Henrique Vieira, que em maio deste ano já havia protocolado ações no STF, na CGU, no TCU e na PGR para a apuração de suspeitas de mau uso das emendas de autoria de Mario Frias, destacou a necessidade de investigação, pela Polícia Federal, de “como repasses milionários foram feitos a partir de conexões entre a produção do filme Dark Horse e uma estrutura religiosa bolsonarista”.

Para o deputado Chico Alencar, o inquérito aponta para “a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, sendo a conduta de Frias incompatível com a responsabilidade exigida de um parlamentar”.

Esta é a segunda vez que o PSOL pede a cassação de Mario Frias. Em maio deste ano, o Partido entrou com representação contra o deputado por suspeita de prática de “rachadinha” (contratação de funcionários sob a condição de repasse de parte do seu salário para o gabinete).

Foto: Kayo Magalhães / CD