Pastor Henrique Vieira protocola ações no STF, CGU, TCU e PGR para investigar conexões entre filme de Bolsonaro, emendas parlamentares e entidades religiosas ligadas ao bolsonarismo
A iniciativa ocorre após declarações do senador Flávio Bolsonaro tentando minimizar o caso com a singela afirmação de que se tratava apenas de “um filho buscando patrocínio para um filme sobre o pai”
14 maio 2026, 18:42 Tempo de leitura: 1 minuto, 46 segundos
O deputado federal Pastor Henrique Vieira (RJ) protocolou na quinta-feira (14.05) ações no Supremo Tribunal Federal (STF), na Controladoria-Geral da União (CGU), no Tribunal de Contas da União (TCU) e na Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar possíveis irregularidades envolvendo a produção do filme Dark Horse, baseado na trajetória de Jair Bolsonaro.
As medidas pedem apuração sobre a destinação de emendas parlamentares, repasses milionários e conexões entre entidades privadas, estruturas religiosas e parlamentares da extrema direita ligados à produção do filme.
A iniciativa ocorre após declarações do senador Flávio Bolsonaro tentando minimizar o caso ao afirmar que se tratava apenas de “um filho buscando patrocínio para um filme sobre o pai”.
Para Vieira, a gravidade dos fatos exige investigação aprofundada. “A pergunta central é: que filme é esse e quem está por trás dele? A investigação do The Intercept revelou uma estrutura que mistura produção ideológica, recursos públicos, relações empresariais e conexões com organizações do universo evangélico conservador. A fé de milhões de brasileiros não pode ser usada como escudo político nem como instrumento para blindar negócios suspeitos ou projetos de poder”, afirmou o parlamentar.
As representações solicitam auditoria sobre recursos destinados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades citadas nas investigações e apontadas como integrantes da mesma rede empresarial ligada ao projeto audiovisual.
O documento enviado à PGR também pede apuração criminal de parlamentares envolvidos, incluindo o deputado Mário Frias, citado simultaneamente como roteirista do filme e responsável pela destinação de emendas às entidades investigadas.
Segundo o deputado, o caso pode envolver desvio de finalidade no uso de recursos públicos e instrumentalização política da religiosidade popular. “Quando a extrema direita mistura política, dinheiro, propaganda ideológica e exploração da fé popular, isso deixa de ser expressão religiosa e passa a ser projeto de poder. E contra projetos de poder financiados nas sombras, a resposta precisa ser transparência, fiscalização e responsabilização”, concluiu.