Meio bilhão de vidas interrompidas: o Brasil dá um passo contra o extermínio silencioso de animais nas estradas

Com relatoria de Duda Salabert, Câmara aprova projeto que cria o Plano Nacional de Segurança Viária para Fauna Silvestre

7 maio 2026, 13:24 Tempo de leitura: 1 minuto, 47 segundos
Meio bilhão de vidas interrompidas: o Brasil dá um passo contra o extermínio silencioso de animais nas estradas

Sob relatoria da deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG), a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 466/2015, que cria o Plano Nacional de Segurança Viária para Fauna Silvestre e estabelece medidas concretas para reduzir o extermínio diário de animais nas rodovias brasileiras.

Enquanto você respira fundo para iniciar a leitura deste texto, 15 vidas foram interrompidas sob o asfalto em algum ponto do território nacional. O dado, embora pareça absurdo, é a realidade matemática de um massacre silencioso: a cada minuto que passa, 900 animais são atropelados no Brasil. No tempo de uma breve conversa ou de um café, 54 mil seres, principalmente sapos, aves, cobras e mamíferos, deixam de existir.

Essa soma impressionante de 1,3 milhão de mortes diárias culmina em um extermínio anual de aproximadamente 475 milhões de animais silvestres. Não se trata apenas de uma estatística ambiental, mas de uma falha histórica de infraestrutura que ignorou a biodiversidade como patrimônio nacional. Rodovias e ferrovias se tornaram barreiras de morte para espécies que já ocupavam esses territórios muito antes da chegada do concreto e do asfalto.

Agora, após anos de tramitação, o Congresso finalmente dá um passo decisivo para enfrentar essa tragédia. A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 466/2015, relatado por Duda Salabert, instituindo o Plano Nacional de Segurança Viária para Fauna Silvestre. O texto prevê a instalação de passagens subterrâneas e aéreas para animais, cercamentos estratégicos, sinalização inteligente, redutores de velocidade e a criação de um cadastro nacional de acidentes envolvendo fauna silvestre.

A aprovação do projeto representa uma mudança histórica na forma como o país enxerga desenvolvimento e preservação ambiental. Mais do que uma política pública, trata-se de um pacto ético: reconhecer que progresso não pode continuar significando o extermínio de meio bilhão de vidas por ano. O texto segue agora para análise no Senado Federal, enquanto o “atropelômetro” brasileiro continua girando em velocidade alarmante.

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados