Lei anti-redpills: deputada Talíria Petrone quer conexão imediata de denúncias em redes sociais com delegacias

Atualmente, grandes empresas digitais têm os recursos necessários para identificar quem são os criminosos, mas retêm essa informação

10 mar 2026, 10:48 Tempo de leitura: 1 minuto, 37 segundos
Lei anti-redpills: deputada Talíria Petrone quer conexão imediata de denúncias em redes sociais com delegacias

A deputada federal Talíria Petrone (RJ) protocolou na Câmara um projeto de lei que determina que as denúncias sobre planos de assassinato de mulheres em redes sociais e jogos online estejam conectadas a delegacias e às DEAMs (Delegacia de Atendimento à Mulher).

Atualmente, se um usuário vê um plano de assassinato contra uma mulher em um jogo online ou rede social e clica em “denunciar”, essa informação fica presa no banco de dados da empresa. A polícia só descobre o caso de forma reativa, geralmente quando o crime já ocorreu.

“Fóruns de jogos e subculturas extremistas usam a internet não apenas para destilar ódio, mas para planejar ataques reais. Queremos resolver o problema de forma direta: obrigando que as ferramentas internas de denúncia das plataformas sejam tecnologicamente conectadas às polícias e Delegacias da Mulher”, explica a deputada.

A proposta cria um sistema de duas camadas: alertas automáticos e em tempo real para ameaças contra a vida, e repasse periódico de inteligência para casos de disseminação estrutural de discurso de ódio e misoginia.

No modelo atual, as grandes empresas de tecnologia (como Meta, Google, Discord) sabem quem são os agressores e onde eles estão, mas guardam essas denúncias para si. A burocracia atual exige que a polícia mande um ofício de papel ou e-mail pedindo os dados, o que leva dias ou semanas. Essa lentidão custa a vida das mulheres.

O Brasil vive uma explosão de crimes de ódio digital: em 2025, os casos gerais de crimes de ódio na internet cresceram 54%. O alvo principal são as mulheres: as denúncias de misoginia (violência, aversão e discriminação contra mulheres) tiveram uma alta assustadora de 224,9% no último ano. A apologia a crimes contra a vida na internet cresceu 75,4%, comprovando que as redes estão sendo usadas para planejar mortes e agressões.