Célia Xakriabá é designada relatora de projeto que cria a Universidade Federal Indígena
Deputada do PSOL/MG é a primeira mulher indígena doutora em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e foi indicada pelo presidente da Câmara
3 fev 2026, 15:58 Tempo de leitura: 2 minutos, 23 segundos
A deputada federal Célia Xakriabá, do PSOL de Minas Gerais, foi designada, nesta semana, relatora do Projeto de Lei nº 6.132/2025, que propõe a criação da Universidade Federal Indígena. A indicação foi feita pelo presidente da Câmara dos Deputados e representa um passo histórico na luta por políticas públicas voltadas à educação superior indígena no Brasil.
Segundo a parlamentar, a relatoria é resultado de um processo coletivo de articulação e de anos de dedicação à educação escolar indígena. A iniciativa contou com o apoio direto do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.
“Muitas vezes dizem que os povos indígenas chegam atrasados à universidade, mas, na verdade, é o Estado brasileiro que está atrasado por não nos escutar. Estamos mudando essa história”, afirmou Xakriabá.
Célia Xakriabá tem trajetória reconhecida na defesa da educação indígena. Ela é a primeira mulher indígena doutora em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e também foi a primeira mulher indígena a integrar a equipe da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, durante a gestão em que Macaé Evaristo esteve à frente da pasta.
Caso seja aprovado, poderá inaugurar um novo modelo de ensino superior, baseado nos saberes, nos territórios e nos modos de vida dos povos indígenas. A universidade terá como objetivo promover o intercâmbio acadêmico e a cooperação solidária com instituições de educação superior brasileiras, com universidades indígenas interculturais, especialmente da América Latina e do Caribe, e com outras instituições internacionais da mesma natureza.
O funcionamento será em rede, no formato multicampi, com diversos polos de extensão distribuídos em diferentes regiões e estados. Esse modelo permitirá que os estudantes cursem o ensino superior próximos de suas comunidades e famílias, ampliando a acessibilidade.
A sede da Universidade Federal Indígena, Unind, será em Brasília, no Distrito Federal. A capital do país foi escolhida por unanimidade pelo grupo de trabalho e pelas lideranças indígenas para abrigar a sede da instituição, por ser historicamente um espaço de mobilização dos povos indígenas na defesa de seus direitos e por estar no centro das decisões políticas e sociais. A previsão é que a universidade entre em funcionamento em 2027.
Para a deputada, a criação da Universidade Federal Indígena representa uma conquista estratégica não apenas para os povos indígenas, mas também para o fortalecimento da educação climática e intercultural no país. “Daqui para frente, seremos muitos e muitas em todos os espaços. Lutamos por uma educação do jeito que a gente quer, sem matar o que a gente é”, destacou.