Sâmia Bomfim pede ao Ministério Público o fim do contrato de concessão da Enel por apagão em SP
Deputada do PSOL destaca, em representação, histórico de má prestação de serviço da empresa na capital paulista
16 dez 2025, 12:18 Tempo de leitura: 2 minutos, 33 segundos
A deputada federal Sâmia Bomfim (SP) entrou com uma representação no Ministério Público de São Paulo pedindo uma investigação contra a Enel Energia pelo apagão que ocorreu na última semana, desde o dia 10 de dezembro. Após tempestades com fortes rajadas de vento na capital paulista, que chegaram a aproximadamente 100 km/h, diversos bairros ficaram sem energia elétrica atingindo, pelo menos, 1,5 milhão de residências.
Na representação, a deputada afirma que o episódio “expõe, mais uma vez, fragilidades estruturais na prestação do serviço por parte da concessionária ENEL Energia, cuja atuação reiteradamente tem se mostrado insuficiente para garantir a continuidade, a eficiência e a segurança do serviço público essencial que lhe foi delegado”. Sâmia ainda destaca que a empresa tem um histórico de “má prestação de serviço, marcado por interrupções recorrentes, falhas graves de manutenção preventiva, demora injustificável no restabelecimento do fornecimento e desrespeito a princípios constitucionais da administração pública, especialmente o princípio da eficiência”.
A parlamentar acrescenta que o problema é resultado da privatização “sem a devida garantia de mecanismos robustos de controle social, participação popular, fiscalização contínua e responsabilização efetiva”. Com base nisso, Sâmia pede a instauração imediata de uma atuação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com o objetivo de:
- Criar um Grupo Interinstitucional de Acompanhamento da Crise para acompanhar as ações de restabelecimento do serviço, supervisionar a execução do plano de contingência da concessionária e promover comunicação transparente e tempestiva à sociedade;
- Requisitar à concessionária, em caráter de urgência, um plano completo e detalhado de restabelecimento do serviço, com mapeamento das áreas afetadas e prioridades técnicas, relatórios de manutenção preventiva e podas e registros de execução do plano de contingência;
- Instaurar inquérito sobre os impactos coletivos e a eventual violação aos princípios administrativos e um Processo Administrativo de Fiscalização para apurar possível descumprimento de obrigações regulatórias, contratuais e de qualidade;
- Firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) tripartite, entre Ministério Público, ANEEL e concessionária, para corrigir falhas, aprimorar o serviço e estabelecer compromissos claros de prevenção e resposta a novas ocorrências.
A deputada ainda pede a avaliação de medidas jurídicas cabíveis para a revisão do contrato de concessão e, se necessário, intervenção ou extinção da concessão da Eneel em São Paulo. “Entendemos que o atendimento ao quanto aqui solicitado é medida urgente e necessária, dada a crescente gravidade da situação, que tem se mostrado insustentável para a população e para o funcionamento de serviços essenciais, sem prejuízo de outras iniciativas jurídicas e administrativas”, finalizou.
*Com informações da Revista Fórum