PSOL quer que Queiroz se explique em Comissão da Câmara

.

O PSOL apresentou no início da tarde desta quinta (24/10) um requerimento na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para convidar o sumido Fabrício Queiroz para dar explicações sobre suas indicações de nomeações para gabinetes dos filhos do presidente Jair Bolsonaro.

 

Matéria do jornal 'O Globo', publicada hoje, apresenta um áudio que comprova que Fabrício Queiroz continua sendo consultado sobre nomeações no Legislativo e admite ainda ter "capital político” para esta influência - mesmo tendo sido exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, há 8 meses.

O requerimento é assinado pelo líder Ivan Valente (SP) e pela deputada Sâmia Bomfim (SP).

 

Abaixo, os argumentos apresentados pelo PSOL:

JUSTIFICAÇÃO

 

De acordo com matéria veiculada no jornal “O globo”, oito meses após ser exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, o ex-policial Fabrício Queiroz continua sendo consultado sobre nomeações no Legislativo. Fabrício Queiroz  esteve no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio entre 2007 e 2018 e, no período, teria emplacado sete parentes na estrutura[1]. Ele foi exonerado após ser publicizado investigação feita pelo Ministério Público sobre depósitos suspeitos e sua influência na contratação de funcionários fantasmas para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, inclusive alguns possuindo fortes vínculos com as milícias.

De acordo com áudio obtido pela reportagem, o ex-assessor sugere a um interlocutor como proceder para fazer indicações políticas em gabinetes de parlamentares.

“— Tem mais de 500 cargos, cara, lá na Câmara e no Senado. Pode indicar para qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles (família Bolsonaro) em nada.”

 

Logo depois, ele complementa: “20 continho aí para gente caía bem pra c**. Em seguida, explica o funcionamento do gabinete do senador Flávio Bolsonaro:

 

“— O gabinete do Flávio faz fila de deputados e senadores, pessoal para conversar com ele, faz fila. Só chegar lá e nomeia fulano aí para trabalhar contigo aí, salariozinho bom desse aí para a gente que é pai de família, cai como uma uva”

 

Procurado pela reportagem do GLOBO, Queiroz admitiu, por nota, que mantém a influência por ter "contribuído de forma significativa na campanha de diversos políticos no Estado do Rio de Janeiro".

Como foi amplamente divulgado na imprensa, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) apontou movimentações financeiras atípicas de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira”.

Também foi noticiado que Nathália Queiroz, filha de Fabrício Queiroz, estava lotada no gabinete em Brasília do então deputado federal pelo Rio, Jair Bolsonaro, mesmo trabalhando como personal trainer no Rio de Janeiro. Nathalia ocupou um cargo no gabinete de Bolsonaro entre dezembro de 2016 e outubro de 2018. Não há qualquer registro de que ela tenha estado presente uma única vez na Câmara dos Deputados durante esse período[2].

A possibilidade do esquema criminoso descoberto no legislativo do Rio de Janeiro estar sendo reproduzido no Congresso Nacional, conforme consta no áudio, é muito grave e merece rigorosa investigação.

Pelo exposto, considerando a gravidade da denúncia envolvendo a ocupação de cargos públicos no Congresso Nacional, deve a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania tomar as providências necessárias para convidar, imediatamente, o Sr. Fabricio Queiroz para prestar esclarecimentos sobre o caso

 

[1] Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/queiroz-tem-mais-de-500-cargos-la-cara-na-camara-no-senado-20-continho-caia-bem-24035504

[2] Disponível em: https://theintercept.com/2019/02/28/documentos-nathalia-queiroz-funcionaria-fantasma/

ImprimirEmail