Forças Armadas na Amazônia custarão mais que verba de fiscalização do Ibama para 2020

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 O Ministério da Defesa terá que responder por que, durante o período em que estiveram atuando no combate aos focos de incêndio e em ações repressivas e preventivas contra crimes ambientais na Amazônia (por força do GLO assinado pelo presidente Bolsonaro), as Forças Armadas se recusaram por três vezes a auxiliar os servidores do Ibama em ações de mesma natureza. Essa e outras questões estão levantadas no Requerimento de Informação nº 1413/2019 protocolado nesta quarta (01.10) pelo PSOL na Câmara.

Endereçado ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo, o documento solicita informações sobre o aumento nos índices de desmatamento após a autorização de operação de GLO na Amazônia, em 23 de agosto (por 30 dias iniciais, depois prorrogado até 24 de outubro), e sobre a recusa de apoio do Exército a ações de fiscalização dos órgãos ambientais na região.

Outro dado alarmante que o ministro poderá esclarecer é o de que o uso das Forças Armadas determinado pelo decreto presidencial, em dois meses será de R$ 90 milhões, de acordo com o vice-presidente Mourão, que afirmou que o custo diário das FA era de R$ 1,5 milhão por dia. A discrepância para com o orçamento total previsto para ações de fiscalização do Ibama em 2020 – que é de apenas R$ 76 milhões – impressiona.

Chamam atenção também a informação de que houve queda na apreensão de madeira extraída ilegalmente (63,7% a menos que o mesmo período do ano passado) e diminuição do número de autos de infração emitidos (128, contra 258 no mesmo período do ano passado). Os números do desmatamento, de acordo com o próprio Inpe, sequer tiveram algum momento de queda no período de vigor da GLO, com as FA na região: continuam a aumentar (mesmo tendo havido redução no número de focos de incêndio).

Outro contrassenso foi que o argumento usado pelas FA para não auxiliar o Ibama em suas ações foi o de que essa ação conjunta poderia resultar na “destruição de maquinários de garimpeiros e madeireiros ilegais”, o que, supostamente, “atrapalharia uma negociação com o presidente Bolsonaro” – negociação que veio ocorrer apenas ontem, 1º de outubro quando os extrativistas ilegais foram recebidos no Palácio da Alvorada.

Áurea Carolina David Miranda Edmilson Rodrigues Fernanda Melchionna Glauber Braga Ivan Valente Luiza Erundina Marcelo Freixo Sâmia Bomfim Talíria Petrone

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