Moro nega êxito do Estatuto do Desarmamento mas não apresenta dados

 Por PSOL na Câmara

O ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou em entrevista à imprensa, na quarta-feira (16), que a lei que proibiu a posse de armas no Brasil – anterior ao decreto assinado pelo presidente Bolsonaro anteontem – não teve êxito em reduzir o número de homicídios. O ex-juiz não apresentou nenhum levantamento que comprovasse sua afirmação. Ele também afirmou que pesquisas sobre o tema que indicam mais riscos com a liberação do armamento são controversas – mas não soube argumento o porquê.

Moro comentou que o decreto flexibilizando a posse de armas inicialmente valeria apenas os municípios, “mas com o tempo pareceu melhor não haver a distinção só por municípios”. Mais uma vez, não explicou como ele e a equipe responsável pela elaboração do decreto chegaram a essa decisão que lhes “pareceu melhor”.

Com tantas inconsistências, era de se esperar que o ministro refletisse melhor antes de dar entrevistas sobre assunto tão importante quanto a posse e porte de armas. Sergio Moro não pode se colocar voluntariosamente contra evidências estatísticas e científicas.

Pesquisa recente do DataFolha mostrou que 61% dos brasileiros acreditam que a posse de armas de fogo deve ser proibida, por representar ameaça à vida de outras pessoas. A medida é amplamente criticada por organizações da sociedade civil e especialistas no tema.

De acordo com pesquisa do economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira, a cada 1% a mais de armas de fogo em circulação, os homicídios aumentam 2%. Somente 23% das munições vendidas no Brasil são possíveis de ser rastreadas, o que contribui para que as polícias não consigam elucidar sequer um em cada dez dos homicídios cometidos no país.

A Bancada do PSOL na Câmara aguarda que o ministro responda com o maior detalhamento possível o Requerimento de Informações que foi protocolado anteontem na Presidência da Câmara dos Deputados. Por lei, o Ministério da Justiça tem a responsabilidade de responder as questões levantadas com a maior transparência.

 

 

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