Integrantes da comissão agendaram nova reunião com delegados responsáveis pelo caso e o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Comissão externa que acompanha caso Marielle cobra respostas de autoridades

120 dias após os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, a comissão externa da Câmara que acompanha a investigação cobra "respostas e respeito" das autoridades. A vereadora carioca e seu motorista foram assassinados, no centro do Rio de Janeiro, na noite de 14 de março, com suspeita de execução e crime político.

A comissão externa da Câmara começou a acompanhar o caso no dia seguinte e, desde então, realizou várias diligências, audiências e reuniões técnicas com especialistas em criminologia, direito penal e perícia. Nesta quarta-feira, o relator, deputado Glauber Braga, do PSOL do Rio Janeiro, informou que, apesar do compromisso dos deputados com a preservação das informações sigilosas, vários dos ofícios encaminhados a autoridades federais e estaduais ainda estão sem resposta. A maior parte das críticas de Glauber foi dirigida à chefia de Polícia Civil do Rio, ao gabinete da intervenção federal no estado e ao Ministério de Segurança Pública.

"As respostas não vieram de maneira formal para a comissão. Elas se deram por meio de vazamentos, que as autoridades não confirmam se vão com a linha de investigação que está sendo adotada ou não. Em um período que já é de 120 dias, cabe a essa comissão fazer uma cobrança formal contundente. Nós precisamos de respostas e, mais do que isso, de respeito ao trabalho que está sendo realizado e que as informações sejam compartilhadas da maneira adequada".

Um dos ofícios sem resposta solicitava ao diretor da Polícia Federal um plano de avaliação de risco de outras pessoas ameaçadas a partir do assassinato de Marielle. Autoridades também foram cobradas quanto à reativação dos programas de proteção a testemunhas ameaçadas de morte e de proteção a defensores de direitos humanos, que estavam sem recursos no Rio de Janeiro. O coordenador da comissão externa, deputado Jean Wyllys, do PSOL fluminense, lembrou que, em 8 de maio, o delegado (Fábio Cardoso) responsável pelo caso confirmou o uso de uma submetralhadora no crime, descartou algumas linhas de investigação e disse que "o cerco aos assassinos estava se fechando".

"Quanto mais o tempo passa, mais as evidências se desfazem e as chances de elucidação ficam menores. Essa é a nossa preocupação. Essa comissão não deixou de trabalhar em nenhum momento. Mas, outras instituições precisam dar respostas. Queremos saber quem matou Marielle e o porquê".

Jean Wyllys cobrou maior envolvimento do Ministério Público estadual no caso e anunciou nova mobilização da comissão junto a organismos internacionais (Human Rights Watch, Anistia Internacional, Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, Parlamento Europeu e Parlamento do Mercosul). A intenção é criar uma espécie de "observatório internacional" que amplie a pressão pela elucidação do caso. Integrante da comissão, a deputada Maria do Rosário, do PT gaúcho, disse que o "silêncio" das autoridades desrespeita todas as vítimas de assassinato com ou sem conotação política.

"Entre a morte de Marielle e este momento de 120 dias, várias vítimas foram feitas, inclusive aqueles meninos com uniforme escolar. Então, a pergunta que ela fez - 'quantas vítimas terão que morrer?' - é a pergunta que essa comissão está fazendo para todas as autoridades brasileiras".

O deputado Chico Alencar, do PSOL do Rio de Janeiro, exibiu o vídeo de um dos últimos encontros da vereadora Marielle com correligionárias, fazendo planos para o futuro, na zona norte carioca.

"Nós estamos em Quintino, domingo de manhã. A gente precisa passar por 2018. Afinal de contas, quando eu olho para as senhoras, aqui da frente, tem muita vida para a gente percorrer. Não pode acabar em 2018".

Mesmo durante o recesso parlamentar, a comissão externa da Câmara agendou nova reunião com os delegados responsáveis pelo caso e o Ministério Público do Rio de Janeiro, no dia 23.

 

Da Agência Câmara / José Carlos Oliveira

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