Marielle presente sempre. Por Ivan Valente

Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, ontem completaram-se dois meses das mortes de Marielle Franco, vereadora do PSOL, e do motorista Anderson Gomes, brutalmente executados no centro do Rio de Janeiro. Dois meses de luta e luto. Marielle era uma corajosa guerreira que incomodava muita gente poderosa e perigosa, uma mulher negra, feminista, moradora da favela, que se dedicava integralmente na transformação de nossa dura realidade. Ainda não há uma resposta clara sobre quem apertou o gatilho e quem ordenou o crime, as pistas que apareceram até agora não permitem chegar a uma conclusão. É fundamental que a investigação vá até as últimas consequências e não permita impunidade. Não apenas a família espera por justiça, como todas e todos que querem um país mais inclusivo e mais humano.
A memória de Marielle deve ser tratada com o máximo de respeito.
Os caluniadores devem ser tratados como criminosos, afinal é de uma enorme canalhice espalhar boatos falsos sobre a vítima de uma atrocidade, na tentativa (de modo geral fracassada) de aniquilar o significado da vidae da morte de uma grande lutadora. Além da má fé escancarada dos que inventam mentiras, também é preciso tomar cuidado com as narrativas de grandes veículos de comunicação. Os barões da mídia perceberam que desqualificar Marielle seria remar contra a maré, então assumem a estratégia de apresentar uma Marielle soft, que não contrarie os interesses dos patrocinadores. É uma maneira mais tênue de mentir, mas que também tenta sequestrar o significado profundo da tragédia ocorrida dois meses atrás.
É preciso saudar Marielle Franco com todas as bandeiras que ela defendeu em vida. Estamos falando de uma vereadora do PSOL, que tinha orgulho de ser socialista, de defender a favela, de empoderar os negros, especialmente mulheres negras. Uma feminista e ativista LGBT, que assumia publicamente a relação com sua companheira, Mônica Benício.
Marielle tinha como uma de suas principais causas a denúncia do genocídio da juventude negra nas favelas cariocas, diariamente alvejada pela polícia que mais mata no mundo. Sabemos que é também a polícia que mais morre, e, ao contrário do que diz a campanha de difamação, havia solidariedade para com vítimas dos dois lados dessa guerra cheia de equívocos. Quem acompanhou seu trabalho no mandato de vereadora e na Comissão de Direitos Humanos sabe muito bem, por exemplo, que familiares de policiais mortos recebiam o mesmo tratamento de familiares de vítimas civis de tiroteios.
É muito importante lembrar que Marielle é apenas uma entre as muitas vítimas de assassinatos políticos no Brasil. A Anistia Internacional apontou em relatório que ao menos 58 ativistas de Direitos Humanos foram assassinados no país durante o ano passado. A dor dos amigos próximos e familiares, entre os quais a filha que Marielle deixa, Luyara Santos, se conecta com a dor de todos que perderam entes queridos na mesma luta. 
Mas se conecta também com a dor expressa por milhões de pessoas, que se manifestaram pela internet, nas ruas, entregando flores, com boas palavras e belos gestos, como grafites em locais públicos e outras tantas homenagens. Um colégio na Maré se chamará Escola Municipal Vereadora Marielle Franco, em diversas cidades haverá ruas com o mesmo nome. 
Adesivos e camisetas de nossa guerreira circulam pelo país todo, seus vídeos continuarão ganhando visualizações e a mensagem que ela pregava será transmitida por muitos que acreditam que é preciso lutar por um mundo mais justo.
Não écom as quatro balas que o trabalho de Marielle se encerra, porque a mensagem segue adiante e são muitos os lutadores e lutadores que dão continuidade ao mesmo sonho. Marielle Presente!
Obrigado!

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