Bem vindos ao PSOL. Por Juliano Medeiros

No último dia 15 de setembro o Partido Socialismo e Liberdade completou dez anos de legalização. Em sua primeira década de existência o PSOL se consolidou como a principal agremiação partidária de oposição à esquerda aos governos Lula e Dilma, ampliou sua presença no parlamento, aprofundou seus laços com os movimentos sociais combativos e participou de centenas de lutas populares por mais direitos em todo o país. Nestes anos dedicados à transformação social, o PSOL pode se orgulhar por contribuir com o processo de reconstrução de um projeto socialista, democrático e popular pra o Brasil.

No entanto, apesar de todos os seus esforços, o PSOL ainda não alcançou o patamar de representatividade necessário para responder às enormes tarefas que esse processo de reorganização exige. Por isso, cada passo que fortaleça o PSOL e as demais organizações e movimentos comprometidos com "os de baixo" deve ser comemorado.

Vivemos dias de profunda incerteza. O Governo Dilma tenta, sem sucesso, debelar uma grave crise econômica - retirando direitos dos trabalhadores - enquanto administra uma crise política que arrasta quase todos os partidos da base aliada para o cadafalso - incluindo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Entre as siglas da oposição conservadora, a dificuldade de definir uma tática unificada em torno do impeachment e a identidade de projetos com a política econômica do Governo Dilma, demonstra a confusão em que se encontram esses setores da oposição. Não bastasse essa situação caótica, em meio a esse "derretimento" da política, surgem três novas legendas partidárias: Partido Novo, Partido da Mulher Brasileira e Rede Sustentabilidade.
Mas se o cenário é marcado pelo enfraquecimento das velhas legendas partidárias e pelo surgimento de novos partidos cujo impacto sobre a política brasileira ainda é incerto, vemos também o fortalecimento daquele que tem sido, até aqui, o único partido da esquerda com representação no Congresso Nacional que não chancela o pacto de classes de Dilma .

Desde seu surgimento, o PSOL tem se constituído como um abrigo para várias correntes da esquerda brasileira. Essa vocação já se expressava na diversidade de uma bancada de deputados federais formada pelo único parlamentar homossexual assumido, por um urbanista que foi prefeito da maior metrópole da Amazônia brasileira, por um militante comunista perseguido pela Ditadura Militar e por um educador com fortes vínculos com as melhores tradições da Teologia da Libertação. Essa diversidade ficou ainda mais rica no último mês com a filiação do Deputado Federal Glauber Braga.
Glauber Braga é um dos deputados federais mais atuantes da Câmara. Até então filiado ao PSB do Rio de Janeiro, Glauber tornou-se um dos mais ativos deputados no enfrentamento à gestão de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados. Além disso, Glauber esteve engajado nas principais batalhas travadas pelos deputados de esquerda, como a luta contra a redução da maioridade penal, as medidas provisórias 664 e 665 - que retiraram direitos trabalhistas e previdenciários - ou em favor de uma reforma política democrática.

Além de Glauber, filiou-se ao PSOL também no último mês o vereador Leonel Brizola Neto. Herdeiro de uma das mais importantes tradições da esquerda brasileira - o trabalhismo de esquerda - Bizola Neto tem uma atuação na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro que o credencia para estar no PSOL. O ingresso de Brizola Neto representa que o PSOL tem, gradualmente, se convertido num abrigo para diferentes tradições da esquerda brasileira, algo indispensável a um partido que busca atuar em favor da reorganização de um projeto socialista e democrático para o Brasil.

Glauber Braga e Brizola Neto são novidades que atestam a dupla vocação do PSOL: primeiro, de ser um partido amplo, com disposição de assimilar diferentes experiências históricas desenvolvidas pelo povo brasileiro – do trabalhismo de esquerda a diferentes correntes revolucionárias – para forjar um programa que represente essa diversidade; segundo, de ser uma voz combativa e independente nas diferentes esferas do parlamento brasileiro, fortalecendo tendências transformadoras.

A filiação de Glauber e Brizola Neto é motivo de alegria para todo o PSOL. Que a vinda deles represente o ingresso de outras centenas de lutadores e lutadoras do povo brasileiro. Sejam muito bem-vindos ao PSOL!

 

Juliano Medeiros é Secretário Nacional de Comunicação do PSOL

ImprimirEmail